Migalhas Quentes

Advogado deve devolver honorários por não ajuizar ação de cliente

O profissional alegou dificuldades com a empresa responsável pelo PPP devido a pandemia, mas o TJ/SP concluiu que ele falhou ao não realizar o requerimento de aposentadoria.

9/12/2024

A 27ª Câmara de Direito Privado do TJ/SP reformou parcialmente a sentença que havia negado a restituição de honorários advocatícios em contrato de prestação de serviços entre um cliente e seu advogado. O colegiado concluiu que, embora o advogado tenha cumprido parte das obrigações contratuais, ele faltou com a verdade ao afirmar que havia ingressado com ação perante o INSS, fato que não se concretizou.

O caso envolveu um cliente que contratou o advogado para obter o PPP - Perfil Profissiográfico Previdenciário e realizar o requerimento de aposentadoria junto ao INSS. O contrato foi firmado em abril de 2020, mas foi encerrado em agosto de 2021 devido à perda de confiança entre as partes.

O cliente alegou que o advogado demorou mais de um ano para conseguir o PPP e que só obteve o documento após intervenção direta do próprio cliente. Ele também afirmou que o advogado mentiu para o cliente sobre ter ingressado com ação perante o INSS.

Na contestação, o advogado argumentou que cumpriu com suas obrigações, destacando que a demora para a obtenção do PPP se deu por culpa da empresa que deveria fornecê-lo, agravada pelo contexto da pandemia de covid-19.

Ele justificou que a rescisão contratual ocorreu antes da apresentação do pedido de aposentadoria junto ao INSS, o que isentaria a sua responsabilidade pela não realização do serviço.

TJ/SP determinou a devolução parcial dos honorários advocatícios.(Imagem: Freepik)

Ao analisar o caso, o relator, desembargador Luís Roberto Reuter Torro, destacou que, na relação contratual entre advogado e cliente, a obrigação é de meio e não de resultado, ou seja, o advogado deve empenhar seus esforços para alcançar o objetivo, mas não garantir a obtenção do resultado.

Nesse sentido, o magistrado concluiu que o advogado cumpriu parte das obrigações, mas deixou de realizar o requerimento de aposentadoria.

Diante disso, o colegiado determinou que o advogado restitua ao cliente 50% do valor dos honorários contratuais pagos, acrescidos de correção monetária e juros de mora.

O advogado Marco Aurélio Tadeu atuou na causa em favor do cliente.

Confira aqui o acórdão.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Leia mais

Migalhas Quentes

STJ: Compete ao juízo estadual julgar cumprimento de sentença do INSS

14/3/2024
Migalhas Quentes

Advogado deve devolver caução a cliente que desistiu de ação

12/1/2016
Migalhas Quentes

Segurado do INSS pode desaposentar sem ter que devolver dinheiro

24/1/2014

Notícias Mais Lidas

Juíza esposa de policial morto em ataque foi salva por carro blindado

31/3/2025

Mulher vítima de violência é sequestrada durante audiência virtual

2/4/2025

Academia indenizará mulher barrada após fazer stiff: "homens no local"

31/3/2025

Acórdão do TJ/MT cita dispositivo do Código Civil que não existe

2/4/2025

TJ/SP reduz para R$ 12 mil pensão a filha e neto: "sem ostentação"

31/3/2025

Artigos Mais Lidos

Inconstitucionalidade da lei Federal 15.109/25 que posterga o pagamento de custas nas cobranças de honorários advocatícios

31/3/2025

Incompreensível controvérsia sobre a lei que dispensa adiantamento de custas

1/4/2025

As ações coletivas em matéria tributária e a “venda de coisas julgadas”

2/4/2025

Leilão do imóvel pode ser anulado por erro do banco

31/3/2025

Uma alternativa necessária – A conversão em perdas e danos

31/3/2025