Pesquisa da OAB/SP revela como a IA Generativa está transformando o setor jurídico
Profissionais que utilizam a IA com frequência destacam benefícios como automatizar tarefas repetitivas, otimizar a pesquisa jurídica e redigir documentos.
Da Redação
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025
Atualizado às 15:26
Um estudo inédito realizado pela OAB/SP em parceria com outras instituições especializadas trouxe um panorama detalhado sobre a adoção e percepção da IA Generativa no setor jurídico. A pesquisa, realizada por meio de consulta online, contou com mais de 1.500 respostas e analisou os perfis dos usuários da tecnologia, os desafios enfrentados pelos profissionais da área e as oportunidades que surgem com essa inovação.
A iniciativa possibilitou uma visão ampla do atual estágio de incorporação da IA Generativa no universo jurídico brasileiro. O propósito do levantamento é auxiliar na definição de estratégias para capacitação de profissionais e instituições, preparando-os para as transformações digitais que estão em rápida evolução.
Os resultados indicam que 55,1% dos participantes já utilizam IA Generativa em sua atuação profissional, principalmente para tarefas como análise e síntese de documentos, elaboração de peças jurídicas e realização de pesquisas doutrinárias e jurisprudenciais. Quando analisado por perfil profissional, verifica-se que 50% dos advogados autônomos, 62% dos advogados vinculados a escritórios ou empresas privadas e 63% dos operadores do Direito no setor público fazem uso recorrente da tecnologia.
Entre aqueles que utilizam IA Generativa com frequência, 53% recorrem à ferramenta para análise, resumo e elaboração de documentos e peças jurídicas, enquanto 39% a utilizam para pesquisa de doutrina e jurisprudência. As plataformas mais acessadas por esse grupo incluem ChatGPT (89%), Jusbrasil (62%) e Gemini (46%). Os profissionais que adotam essa tecnologia destacam benefícios como a automação de tarefas repetitivas, a otimização da pesquisa jurídica e a maior eficiência na redação de documentos. No entanto, o estudo também aponta desafios enfrentados pelos usuários. Questões éticas, como vieses e subjetividade da IA, são mencionadas por mais de 44% dos usuários frequentes, além de 38% daqueles que não aderiram à tecnologia e 44% dos que a utilizam esporadicamente. Outros obstáculos incluem a insuficiência de supervisão humana adequada (relatada por 44% dos usuários frequentes, 34% dos que não aderiram e 42% dos que fazem uso esporádico). Além disso, profissionais que não adotam a tecnologia ou a utilizam com pouca frequência mencionam a dependência excessiva da IA sem validação humana (39% e 40%, respectivamente).
Um dos principais pontos levantados na pesquisa é a importância da capacitação profissional, independentemente do grau de adoção da IA Generativa. Entre os usuários frequentes, 86% acreditam que a formação contínua é essencial para o uso eficaz dessa tecnologia, enquanto 76% dos que ainda não a utilizam também reconhecem a relevância do aprendizado constante.
Sobre a pesquisa
O levantamento contou com a participação voluntária de mais de 1.500 operadores do Direito de diferentes regiões do Brasil. No entanto, a amostra não é estatisticamente representativa da totalidade dos profissionais da área. A divulgação realizada por meio dos canais das entidades organizadoras pode ter influenciado a distribuição dos participantes, gerando vieses relacionados à localização geográfica, ao nível de escolaridade e ao interesse pela IA Generativa. Como a adesão foi espontânea, é possível que os respondentes tenham maior engajamento com o tema, refletindo uma percepção mais favorável à sua utilização. Assim, os resultados devem ser interpretados considerando essas limitações e possíveis vieses metodológicos.
O estudo também classificou os profissionais em diferentes perfis conforme sua relação com a IA Generativa, incluindo usuários frequentes, profissionais com pouca ou nenhuma adesão, além de entusiastas, céticos e neutros. Outro aspecto relevante é o perfil sociodemográfico dos participantes: a maioria tem mais de 35 anos (85%) e está concentrada em grandes centros urbanos. Quanto à distribuição de gênero, 56% dos respondentes são homens, 3% são mulheres e 1% preferiu não responder ou se identificou com outro gênero. Além disso, 71% possuem pós-graduação, mestrado ou doutorado, e a maioria tem renda familiar acima da média nacional.
O perfil dos participantes se aproxima do delineado no primeiro estudo demográfico sobre a advocacia no Brasil, publicado no ano anterior pela OAB Nacional em parceria com a FGV. Segundo esse estudo, 55,3% dos advogados têm entre 24 e 44 anos, 23,7% entre 45 e 59 anos, e 20,6% possuem 60 anos ou mais. A pesquisa também revelou que 51,4% dos profissionais estão concentrados na região Sudeste, seguidos pelas regiões Nordeste (16,8%) e Sul (16,6%). No quesito gênero, 50,4% dos advogados são mulheres e 49% são homens.