Artigo - Reforma Agrária: prioridade brasileira 13/3/2006 Tiago Bana Franco "Ou o Sr. Antônio Ribeiro Romanelli desconhece toda a realidade do que tentou abordar em seu artigo, ou age de má-fé (Migalhas 1.367 - 7/3/06 – "Reforma Agrária: prioridade brasileira" – clique aqui). E demonstro isso com a simples comparação entre seu texto e o objeto de que trata. A começar, não 'se dá' ao tema da reforma agrária nenhuma 'conotação ideológica de esquerda radical'. A partícula 'se', empregada pelo autor, tem o condão de tornar impessoal o verbo 'dar'. Essa impessoalidade cai por terra com a simples constatação de que é o próprio Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por meio de seus líderes, quem esclarece sua intenção última: acabar com a propriedade privada (atitude que eu considero bem radical). Note-se, por obséquio, a observação feita pelo Sr. João Pedro Stédile, em artigo publicado no site www.forumsocialmundial.org.br, adiante transcrita: 'Está cada vez mais claro o prognóstico do velho Marx, o capitalismo usa sistematicamente a máquina de guerra e da morte, como forma de superar suas crises cíclicas, manter mercados cativos e se impor como império do capital'. Esse texto, somado a outros em que o Sr. Stédile manifesta seu ponto de vista até de modo mais agressivo, é a exposição clara de que o MST configura-se como um organismo marxista, portanto ideologicamente impregnado de radicalismo de esquerda. De fato, não se poderia esperar atitude outra de um movimento que se declara marxista, a não ser o radicalismo, pois o próprio Marx anunciou a luta armada como única salvação para o proletariado, que por meio da revolta exterminaria a classe burguesa e alcançaria a sonhada civilização socialista. E ressalto: utilizo o verbo exterminar em seu real significado. Daí se infere que o MST adota uma postura 'ideologicamente radical', porque movimentos semelhantes que o precederam, como, por exemplo, o Khmer Vermelho, assassinaram milhões e milhões de pessoas quando chegaram ao Poder. Não custa relembrar o que Mao fez ao seu país com a 'Revolução Cultural' e com a 'Grande Marcha', que, se somadas, contabilizam mais de setenta milhões de mortos. Se isso não demonstra que o MST tem a face da 'esquerda radical', pediria que o Sr. Antônio Romanelli esclarecesse qual ideologia esse pranteado 'movimento social' prega. Mas não olvide, Sr. Romanelli, que o Foro de São Paulo, ao qual adere o MST, é integrado por facínoras do porte de Fidel Castro, Comandante Marcos e outros, que também nutrem o socialismo em suas cacholas. No mais, seu artiguinho nada faz além do que repetir o velho bordão – aliás, nem um pouco criativo – segundo o qual toda a pobreza do Brasil será resolvida com a reforma agrária. O autor se esquece, todavia, de olhar o mundo em volta, de observar que os países desenvolvidos só mantêm cerca de 3% de sua população vinculada à agricultura, e que a agricultura de subsistência – que a reforma agrária conseqüentemente trará como efeito – é o retorno à pré-história. Por conta disso, eu rogo para que o Sr. Antônio Romanelli seja perdoado, pois não sabe o que diz; ou, se sabe, que também seja perdoado, pois age com extremada má-fé, tentando legitimar um movimento que tem o único escopo de acabar com a democracia brasileira e com a propriedade dos brasileiros." Envie sua Migalha