Rafinha Bastos

20/10/2011
Adriano Fachiolli

"Prezada doutora Cláudia Corrêa. Concordo na parte onde a doutora informa que o Rafinha perdeu a oportunidade de ficar calado (assim como a Wanessa, na minha opinião). A manifestação dele foi de extrema infelicidade, mas só tomou as proporções que temos hoje por conta do nascituro, motivo este, inclusive, das piadas posteriores, como na churrascaria, onde ele recusa, por exemplo, um baby beef (Migalhas 2.737 - 18/10/11 - "Injurioso" - clique aqui). O teor da petição inicial requerendo a reparação por danos morais prioriza, em sua tese, do indecente manifesto do Rafinha em fornicar com a Wanessa, deixando de lado a questão elencada pela mídia referente ao nascituro. É óbvio que a petição dá enfoque a essa tese também, mas, na minha opinião, não foi a principal questão. Segundo a mídia, o principal ofendido nesta questão foi o público em geral, por presenciar um adulto alegando que fornicaria com o nascituro (incitação ao crime de estupro), gerando um grande mal entendido, e não ele propriamente dito, ou até mesmo seus pais. Ocorre que a própria petição inicial corrige o impasse, quando expõe que o Rafinha chegou ao inimaginável cúmulo de na cópula da Wanessa abranger o bebê. Cessa nesse ponto qualquer crime ou ofensa, pois adianta a tese defensiva. Entretanto, as piadas do Rafinha sempre discorreram no sentido de satirizar os demais, adaptando o estilo de comédia norte-americano (stand up) para o Brasil. Quem nunca assistiu a cena do jantar no filme 'Professor Aloprado' e se divertiu com frases do tipo: 'Sua mãe é tão gorda, mas tão gorda, que nela traçaram a linha do Equador'? É de mau gosto? Sim, péssimo, aliás, mas é uma forma de stand up. Aposto que mais de 90% das pessoas que comentam sobre o Rafinha hoje nunca ouviram falar dele há até 2 meses. No DVD que mencionei, por exemplo, ele menciona não haver necessidade de estudar a vida dos dinossauros e descobrir como eles morreram, bastando perguntar à Hebe Camargo. Acredito que tenha sido muito mais ofensivo do que a 'piada' envolvendo o Fábio Assunção, por exemplo. Nesse ponto, onde está a repercussão? Não há, tendo em vista que na época da 'piada', ele não era comentado na mídia televisiva, bem como de jornais ou revistas e até mesmo no Judiciário, mas amplamente aclamado no mundo da Internet. Quanto à questão envolvendo a Wanessa e o Rafinha diretamente, sobre a infeliz manifestação do desejo de fornicar, mesmo que ali tenha um bebê ('não to nem aí, to nem aí'), aqui no centro de São Paulo, por exemplo, já presenciei situações muito piores. Em inúmeras vezes pude presenciar motoboys, quando parados nos semáforos, atazanando a vida das mulheres que atravessavam as ruas na faixa, assoviando, fazendo psiu, acelerando a moto, chamando de cachorra e etc... etc... etc... Coisas muito, mas muito mais graves e ofensivas. Tudo isso também se resume na manifestação absurda e surreal de um desejo de fornicar. Por qual motivo esses motoboys também não respondem por processos civis e criminais? Não é por falta de policiamento ou testemunhas, pois todos os transeuntes veem. Nesse ponto, cito os motoboys apenas para exemplificar situações na qual presenciei, existindo, por óbvio, situações semelhantes com outras categorias de trabalhadores e grupos de pessoas. Óbvio que o errado de um não ampara o do outro, por isso temos o princípio da isonomia, mas o que me entristece nessa história toda, não é sequer pelas partes envolvidas, mas pelo fato de o Judiciário virar picadeiro de circo ou palco de teatro para sub-celebridades tentarem se manter na mídia, mesmo que de forma negativa. Para tanto já temos a política, que, embora tenha uma quantidade de pessoas sérias, virou motivo de piada e aberração mundial, vide mensalões, pizzas e o próprio Tiririca. O Judiciário não, pelo amor de Deus! Quem sai perdendo com essa história somos nós, advogados, estagiários e nossos clientes, que temos que presenciar tais grosserias que só abarrotam ainda mais o Judiciário. Faculdades de Direito se aglomeram por haver candidatos. Ficam encantados vendo tais bizarrices na mídia e acham o curso de Direito 'legal e divertido'. O Rafinha foi extremamente infeliz, mas a Wanessa perdeu a oportunidade de abafar o caso, ficando calada, ou no máximo se manifestando da mesma forma que o Fábio Assunção. O Judiciário agradeceria e ela mostraria maturidade, coisa que o Rafinha não tem, e não faz questão de ter. Nesse bolo todo, falando em isonomia, enquanto que o processo distribuído contra o Rafinha já se encontra nas mãos do oficial de justiça, o que distribuí no dia 4/10/2011, referente a uma ação monitória de míseros R$ 700,00 até hoje, vergonhosamente, não foi autuado. Quanto à questão das fotos, para ela poder exigir respeito de alguém, necessário se faz, antes de tudo, respeitar a si, e é exatamente o contrário o que vejo no Google. Fica a minha opinião, meu desabafo e meu agradecimento pelo debate."

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