Gramatigalhas

Datas – Ponto no fim?

Datas – Ponto no fim? O Professor esclarece a questão.

29/8/2018

A leitora Luciana de Oliveira envia a seguinte dúvida ao Gramatigalhas:

"Sou leitora assídua do Migalhas e gostaria de saber se o ponto final deve ou não ser utilizado ao final das datas. Exemplo: 'Rio de Janeiro, 04 de janeiro de 2009'. Após 2009, deve constar o ponto final? Grata."

1) Uma leitora pergunta se, no final de uma expressão indicativa de data – como "Miguelópolis, 18 de outubro de 1949" – deve ou não haver ponto.

2) Ora, para não haver dúvida em nenhum dos aspectos envolvidos, observa-se que, em uma expressão indicativa de data, como a que inicia uma correspondência, quatro observações são importantes: a) após o nome da localidade, há vírgula1; b) contrariamente ao que se dá em outros idiomas, como o inglês, o nome do mês se escreve com inicial minúscula (isso, aliás, é determinação expressa do Acordo Ortográfico de 2008); c) no ano, contrariamente ao que, em regra, ocorre com os cardinais ("1.949 pessoas morreram com o terremoto"), não há ponto entre o número indicador do milheiro e o dígito indicador da centena (outubro de 1949); d) no final da data, coloca-se um ponto.

3) No que diz respeito diretamente à indagação da leitora – se há ou não ponto no final de tais expressões – Rocha Lima, exatamente tratando do assunto ora sob análise, refere quatro cartas, três da lavra de Olavo Bilac e uma de Euclides da Cunha, todas endereçadas a Coelho Neto, escritos esses que ele considera "primorosos modelos de epistolografia brasileira". E todos eles, cada qual com suas peculiaridades, se enquadram exatamente nos moldes acima especificados: a) "Milão, 9 de março de 1909."; b) "Rio, 1 de junho de 1902."; c) "31, janeiro, 1902."; d) "Rio, 2-4-904."2; e) isso significa, em suma, que, em tais casos, no final das datas, deve-se finalizar a escrita com um ponto.

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Colunista

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.